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Simples Nacional Híbrido: Quando vale a pena recolher IBS e CBS fora do DAS?

Foto do escritor: Macedo & Ferreira
Macedo & Ferreira
26 de jun.
3 min de leitura

A Reforma Tributária trouxe uma mudança que está chamando atenção de empresários e especialistas contábeis: o chamado Simples Nacional Híbrido.


Embora o Simples Nacional continue existindo, o novo modelo abre a possibilidade de algumas empresas recolherem o IBS e a CBS fora da guia única do DAS em determinadas situações.


Na prática, isso cria um novo cenário estratégico para micro e pequenas empresas, principalmente aquelas que atendem outras empresas e dependem da competitividade tributária para crescer.


Mas será que essa opção realmente vale a pena?


O que é o Simples Nacional Híbrido


Durante as discussões da Reforma Tributária, foi definida a manutenção do Simples Nacional como regime diferenciado.


Porém, surgiu uma novidade importante.


Empresas poderão manter o recolhimento tradicional pelo DAS ou optar pelo recolhimento separado do IBS e da CBS em determinadas operações.


Essa possibilidade ficou conhecida no mercado como Simples Nacional Híbrido.


Na prática, o restante dos tributos continua dentro do Simples, enquanto os novos impostos sobre consumo passam a seguir regras próprias.


Por que essa opção foi criada


O objetivo é reduzir distorções comerciais que existiam no modelo atual.


Hoje, empresas do Simples frequentemente enfrentam dificuldade ao vender para empresas maiores porque o aproveitamento de créditos tributários é limitado.


Com o recolhimento do IBS e CBS fora do DAS, clientes podem ter maior possibilidade de aproveitamento desses créditos, tornando a negociação mais competitiva.


Quando recolher IBS e CBS por fora pode fazer sentido


Nem toda empresa do Simples terá vantagem.


Alguns cenários podem justificar análise:


Empresas que vendem para outras empresas

Negócios que operam no modelo B2B podem ganhar competitividade comercial.

Isso acontece porque clientes empresariais tendem a valorizar operações que geram créditos tributários.


Empresas com cadeia de compras mais estruturada

Quem possui custos relevantes e operações mais organizadas pode conseguir aproveitar melhor a lógica do novo sistema.


Empresas em fase de crescimento

Empresas próximas da saída do Simples podem usar esse modelo como etapa intermediária para adaptação.


Quando pode não valer a pena


Em muitos casos, permanecer no modelo tradicional continuará sendo a decisão mais eficiente.


Alguns exemplos:


• empresas com venda direta ao consumidor final

• negócios com estrutura administrativa reduzida

• operações com pouca geração de créditos

• empresas que priorizam simplicidade operacional


Mais controle também significa mais responsabilidade fiscal.


O impacto na precificação


Esse será um dos pontos mais importantes.


Empresas precisarão revisar:

• composição do preço

• margem operacional

• competitividade comercial

• formação do valor final ao cliente


Uma escolha inadequada pode reduzir margem mesmo com aumento das vendas.


O desafio operacional


Optar pelo recolhimento separado exige mais organização.


Entre os principais ajustes estão:

• atualização do ERP

• adaptação da emissão de notas fiscais

• revisão de cadastro tributário

• integração entre fiscal e financeiro

• controle dos créditos tributários


Por isso, a decisão não deve ser tomada apenas olhando alíquota.


Como decidir se vale a pena


Antes de optar pelo modelo híbrido, vale analisar:

• perfil dos clientes

• setor de atuação

• faturamento atual

• margem de lucro

• estrutura tributária

• impacto no fluxo de caixa


Simulações tributárias tendem a ser o caminho mais seguro.


O papel da contabilidade consultiva


A Reforma Tributária aumentou o peso das decisões tributárias dentro das empresas.


A contabilidade deixou de atuar apenas no cumprimento de obrigações e passou a ter papel estratégico na escolha do melhor modelo operacional.


Cada empresa pode ter um resultado diferente diante das mesmas regras.


Conclusão


O Simples Nacional Híbrido surge como uma das mudanças mais estratégicas da Reforma Tributária para micro e pequenas empresas.


Apesar das oportunidades, optar por recolher IBS e CBS fora do DAS exige análise técnica, organização e planejamento.


Em 2026, mais do que escolher o regime tributário, empresas precisarão entender como cada decisão afeta preço, caixa e competitividade.



 
 
 

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